13 filmes LGBT de terror

Sempre que eu chamo meus amigos pra gente assistir um terror trash gay, a resposta é a mesma: ué, e isso existe? Como o dia das bruxas está chegando, resolvi fazer uma lista! Atenção: alguns desses títulos são pééssimos, tem uma quantidade bizarra de sangue falso e um enredo mais que duvidoso – mas todos eles têm personagens abertamente queer. Deixei de fora aqueles muito ruins (*cof cof* Vampire Boys) ou estilo “vampiras lésbicas devoradoras de homens”, e tentei escolher alguns que – piadas terríveis à parte – podem ser divertidos de assistir com a galera. Então, pegue a pipoca, apague as luzes e vamos ter um Halloween menos heteronormativo!

1) Hellbent

O típico slasher onde um assassino mascarado sai matando os personagens um por um, como Pânico e Sexta-Feira 13. Enquanto isso, nosso herói Eddie (Dylan Fergus) só quer curtir o halloween em uma festa gay com os amigos. Entre eles Chaz (Andrew Levitas), abertamente bissexual. Claro que a gente vê todos os personagens sem camisa – até o serial killer, né? Apesar disso (ou talvez por isso mesmo) é aquele terror b gostoso que a gente adora assistir junto com os amigos. Download e legenda disponíveis.

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O assassino usa máscara, mas camisa não!

2) Todas as cheerleaders devem morrer

No original All cheerleaders die, é mais um filme sobre vingança com sangue falso pra todo lado. O legal é que algumas garotas da equipe de torcida são queer e a sexualidade delas não é tratada como artifício pra agradar o público masculino. É um detalhe que se encaixa tão bem na história quanto as relações hétero. Não me entenda mal, esse filme é super tosco, mas não porque uma relação lésbica seja tratada como fetiche. Assista online dublado ou legendado.

3) Bite marks

Se você acha que Hellbent é trash, espere só até ver esse aqui. Enquanto o primeiro é como Pânico (mas gay), Bite Marks está mais pra Todo mundo em Pânico (e gay). Ou seja, é “comédia de terror” e tira sarro dos clichês do gênero. Enquanto dois namorados se vêem cercados por vampiros sem camisa, entre um susto e outro a gente acaba rindo – o que é perfeito se você quer entrar no clima do Halloween sem ter pesadelos de noite. Tem o download pelo torrent, e aqui a legenda.

4) Garota infernal

Garota infernal (Jennifer’s Body) é uma variação do “rape and revenge” – filme em que uma mulher é atacada e se vinga dos agressores de forma brutal – com elementos sobrenaturais. Megan Fox descreveu Jennifer como uma cheerleader canibal lésbica. A personagem de Amanda Seyfried parece ser bi e rola um clima entra as duas (tirando o fato de Jennifer ser, você sabe, um monstro). Nem todo mundo curte esse tipo de filme, mas pra quem gosta fica a dica. Dublado aqui e aqui, ou pelo torrent com legenda.

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Amanda Seyfried e Megan Fox (Fonte)

5) Drink me

Bite Marks está longe de ser o único filme sobre vampiros na lista (parece que vampiros são sexy ou algo do tipo). Em Drink me, James e Andy são um casal perfeito, mas quando eles resolvem hospedar um estranho em casa, isso começa a mudar. Andy passa a ter pesadelos sombrios, enquanto um assassino é procurado nas ruas do bairro. Por algum  motivo, o filme tem várias cenas de sexo. Tipo, várias mesmo. Disponível para ver online aqui, legendado.

6) In the blood (2006)

Cassidy é um estudante universitário que passa a ter visões da irmã caçula morta, enquanto um assassino aterroriza o campus. Só que as visões aparecem quando ele se entrega ao sexo, e Cass não consegue aceitar que é gay. Eu sei que parece uma ideia terrível para um filme, mas não deixe a sinopse te desencorajar! Ao contrário de alguns outros nessa lista, In the blood tem um suspense legal e um enredo inteligente. Juro! Você pode assistir online aqui, é só colocar a legenda. Baixe esse arquivo primeiro e, no player do filme, clique em CC lá embaixo, depois em “load srt/vtt from pc”, e selecione o arquivo com a legenda.

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Tyler Hanes como Cassidy Clarke

7) Return to Nuke’em High (Volume I)

“De volta à Nuke’em High” é uma sequência do “clássico” Class of Nuke’em High de 1986. A história é a seguinte: a escola foi construída na mesma área que uma usina nuclear, o que causa mutações nos alunos e outras coisas… estranhas. É uma mistura de ficção científica, terror e comédia super, super tosca, com uma personagem lésbica (e Stan Lee como narrador). Se você acha que vai curtir Return to Nuke’em High e esse climão de filme b dos anos 80, download aqui.

8) A casa amaldiçoada

A casa amaldiçoada (The Haunting) não é trash,  mesmo que os efeitos sejam obsoletos. Não há romance, mas o filme tem sim uma figura queer icônica:  Theo (Catherine Zeta-Jones), que menciona sua bissexualidade no início da trama e flerta com a mocinha Eleanor. A relevância da personagem, porém, é histórica: A casa… é baseado num romance de 1959 e o livro deixa implícito que Theo é lésbica. O mesmo acontece com a primeira versão pro cinema, feita na década de 60. Eu pretendo escrever sobre como personagens assim são importantes na cultura LGBT, mas, por hora, Theo entra como exemplo de representatividade. O enredo não explora a sexualidade dela, mas também não o faz com nenhuma relação hétero.

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Eleanor e Theo nas duas versões (Fonte 1, 2)

Uma boa notícia: a Netflix está produzindo uma série baseada na história, o que quer dizer que a gente vai ter uma heroína foda que ama outras mulheres! Seja Theo lésbica ou bi na adaptação, a Netflix deve dar destaque à sexualidade dela. Até lá, assista a versão com a Zeta-Jones dublada aqui e aqui, ou baixe pelo torrent com a legenda. E se você curte clássicos, o primeiro chama Desafio do Além (legendado e dublado).

9) Kissing Darkness

Lembra quando eu disse que Bite Marks era trash? Kissing Darkness consegue muito, muito, muito mais. Outra “comédia de terror” onde os caras parecem ter alergia a  usar camisa não que eu esteja reclamando. Dessa vez quatro amigos gays (e um hétero) vão passar uns dias numa cabana, e ao brincar com um tabuleiro ouija acabam despertando uma… bem, alguma coisa que pelo jeito se alimenta de sangue. Dá pra baixar o filme no torrent, com a legenda aqui.

10) Carmilla

Deixando de lado o terror trash… Talvez eu esteja trapaceando, já que Carmilla é web série, mas vocês tem que ver. A série virou filme, estreia em 2017! E se o título parece familiar, é porque a história é inspirada no romance gótico de mesmo nome, famoso por preceder Drácula com uma vampira lésbica. Carmilla teve várias adaptações (algumas de péssimo gosto), mas eu recomendo essa. Além do formato interessante da narrativa, a maioria dos personagens é queer: a heroína Laura é lésbica, assim como a professora Danny e a própria Carmilla, LaFontaine é não-binário. Tem no Youtube com legenda¹.

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Carmilla e Laura (Fonte)

11) Contágio letal

Deixei esse aqui pro fim da lista porque logo no início tem uma cena difícil de assistir: numa festa, um desconhecido se aproveita do fato de Samantha estar bêbada para fazer sexo com ela, mesmo Sam dizendo que não quer e que é lésbica. Dois dias depois, Sam ainda está se sentindo mal e culpa a ressaca, mas quando sintomas esquisitos aparecem, ela desconfia que pegou alguma doença venérea do cara na festa – mas o que Samantha “pegou” foi algo muito mais macabro. Disponível na Netflix!

12) Bugcrush

Ben (Josh Caras) se encanta por Grant, o garoto novo que começou a frequentar a sua escola, sem saber que ele esconde um segredo. Bugcrush é um média-metragem que envolve a descoberta da sexualidade entre os personagens num clima de suspense, e o resultado é uma trama curiosa, mais perturbadora do que propriamente terror. Fica a dica para quem quiser conferir! Você pode baixar no torrent ou fazer download direto, com as legendas.

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Detalhe do pôster de Bugcrush

13) Lyle

856710_019Queria muito colocar Lyle na lista e não consegui achar ele de jeito nenhum. Nem para download, nem para ver online. O que é uma pena! Um filme que costuma ser descrito como “a versão de O bebê de Rosemary onde o casal central são duas mulheres”, Lyle parece fantástico, o tipo de suspense que eu adoro. Por isso eu vou deixar o trailer aqui e se vocês tiverem oportunidade, assistam! Li várias críticas positivas a respeito e minha curiosidade só aumentou, então vou continuar procurando. Assim que achar esse filme, eu coloco aqui para vocês. Se alguém encontrar antes, por favor, me avise! Caso seja a versão em inglês sem legendas, eu posso legendar rapidinho.

 

Ps.: Eu não sou muito fã de terror trash, mas é legal ver protagonistas queer mesmo em filmes… bem, péssimos. Na verdade, os que tem imagem são os que eu pessoalmente curti nessa lista, e considero bons filmes. Então, fica a dica!


¹ Não achou as legendas no Youtube? É só ativar a legenda ali embaixo ali embaixo do vídeo, e clicar na ferramenta ao lado pra selecionar o português.

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American Horror Story e a era do medo coletivo

American Horror Story nunca teve uma temporada tão política como a sétima, Cult. É claro que série abordou temas políticos antes: em Asylum, Lana é internada no hospital psiquiátrico por ser lésbica (homossexualidade era considerada doença mental); Coven falou sobre racismo; Freak Show trouxe personagens com deficiências físicas visíveis como protagonistas. Só que tudo isso foi pano de fundo para as histórias, enquanto em American Horror Story: Cult a questão política é a trama central. Não por acaso, essa é a primeira temporada sem elementos sobrenaturais. O que não quer dizer que ela seja menos assustadora (caramba, os palhaços são feios), mas dessa vez a série explora um tipo diferente de medo: o pânico coletivo.

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Uma das imagens promocionais (Fox)

Entendo que muita gente não curta American Horror Story, e não apenas pelo excesso de cenas grotescas. A série costuma apresentar narrativas moralmente ambíguas, e mesmo os “mocinhos” são capazes de atos pavorosos. É uma releitura contemporânea do gênero exploitation,  o cinema apelativo (no primeiro episódio de Coven a história da Madison é basicamente rape and revenge). Dito isso, eu adoro AHS! Aqui em casa já é tradição assistir todo ano.

O que chama atenção na sétima temporada é o fato da situação política americana (e, em certa medida, internacional) ter sido transformada no próprio enredo. A história começa com a vitória de Trump. As tensões sociais resultantes da eleição são o gatilho para que o radical Kai Anderson (Evan Peters) dê início a um culto bizarro, ao mesmo tempo que decide concorrer a um cargo político municipal (equivalente a vereador). Cult explora a forma como certas figuras políticas se aproveitam do medo coletivo para conseguir poder, promovendo uma falsa noção de segurança para justificar suas atrocidades. Soa familiar, não? É a estratégia que Hitler usou para instituir o nazismo, é o que tornou possível a caça às “bruxas” de Salem, e não muito diferente da perseguição atual contra os estrangeiros ou pessoas trans. Kai vem armado com um discurso de ódio, e explora as fraquezas dos seus seguidores pra incitar violência – assim como certos políticos estão fazendo agora, inclusive no Brasil (é, estou falando sobre o Bolsonaro). E a gente, enquanto sociedade, tem que tomar cuidado para que essas figuras não se aproveitem dos momentos de vulnerabilidade política – como o que estamos vivendo agora – para alcançar cargos importantes. É uma lição histórica que a humanidade não pode se dar o luxo de esquecer.

Ryan Murphy (criador de AHS) disse que Cult não é sobre Trump ou Hillary Clinton, e sim sobre a atmosfera conturbada que se instalou após as eleições. A série mantém o enredo ambíguo, mas quando prestamos atenção aos detalhes não dá para ignorar sua inclinação política. Kai foi estabelecido como antagonista desde o primeiro momento. Não há dúvida de que ele seja o vilão (ao contrário de Tate, por exemplo, interpretado pelo próprio Evan em Murder House). A produção também fez Kai parecer desagradável, e estou falando das escolhas de caracterização, como o contraste entre sobrancelha e cabelo. Isso é interessante porque é uma lição básica do design de personagens: se você quer fazer um monstro, você tira as sobrancelhas – o que cria um efeito de “rosto não-humano”. Um recurso muito usado nos filmes de possessão (sério, procura uma imagem da garota d’O Exorcista). Quando é feito de maneira sutil, deixa o personagem com ar esquisito, quase ameaçador. É uma forma de despertar no público aquela sensação de “tem algo errado com essa pessoa, mas eu não sei o que é”. 

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Evan Peters como Kai Anderson (Fox)

Numa cena memorável Sally Keffler (a candidata que se opõe à Anderson, interpretada por Mare Winningham) acusa Kai de estar usando o medo para aterrorizar os eleitores. Ele retruca e cita, em suas próprias palavras, “valores conservadores e tradicionais”. Ao que a personagem responde: “Conservador? Você acha que você é conservador? Eu vi conservadores de perto, e você não é um deles. Você é um reacionário. Você usa o medo, e a fantasia de uma época que nunca existiu, ‘quando as pessoas deixavam as portas destrancadas’. Gente como o Sr. Anderson e Trump não são o lixo. São as moscas que o lixo atraiu.”

Cult funciona tão bem como uma alegoria política justamente pela ausência de um enredo sobrenatural. Kai não é assustador por ser um demônio feio ou um fantasma do mal, do tipo que a gente está acostumado a ver nas tramas da série. Ele é apenas um político com um discurso de ódio, e aí reside todo o perigo. Os palhaços podem até ser feiosos, mas Kai representa uma ameaça real. E falando em “ameaça real”, a cena em que o casal Ally (Sarah Paulson) e Ivy (Alison Pill) assiste ao resultado das eleições, logo no primeiro episódio, é icônica. O desespero de Ally é uma alegoria sobre o que Trump significa para as minorias, para sua segurança, para suas famílias. Foi uma cena difícil de assistir, porém, que expressa bem demais o que eu sinto toda vez que vejo candidatos como Trump e Bolsonaro ganhando apoio. Não por acaso, a sétima temporada tem um elenco cheio de atores abertamente queer: além de Sarah Paulson, Cheyenne Jackson, Colton Haynes, Billy Eichner e Chaz Bono, que é trans e ativista.

Definitivamente, Cult é uma das minhas temporadas favoritas. É claro que nós ainda estamos na metade e eu quero ver até onde o enredo vai nos levar, mas dessa vez AHS trouxe questões muito válidas para a discussão. Agora resta a gente acompanhar e ver como o Ryan Murphy vai concluir essa história, não é?

Entre a Lei e o Salto: suspense policial e queer

Entrei a lei e o salto (no original High Heels) é um filme noir sul-coreano com um bocado de pancadaria e uma policial transgênero como personagem principal. Eu imagino que você esteja se perguntando como é que isso pode não ser transfóbico, e eu fico feliz em te falar que não é, não é mesmo. O melhor de tudo, tem na Netflix! E como eu não quero estragar as reviravoltas do enredo, o post de hoje é livre de spoilers.

man_on_high_heelsEm Entre a lei e o salto, Ji-wook trabalha como detetive e está no começo da sua transição, então a vemos fazer o tratamento hormonal mas na maior parte do tempo ela ainda se apresenta de forma masculina pra sociedade. Uma das coisas legais do filme é mostrar uma pessoa trans adulta, já na casa dos quarenta, no inicinho do processo. A gente vê mais exemplos de homens e mulheres trans jovens (a cartunista brasileira Laerte é outra exceção), o que faz pessoas transgênero sentirem medo de já ter “passado de hora” pra se assumir e transicionar. Vou usar esse espaço pra lembrar que não é, nunca é, tarde demais para começar a transição (e se você tem dúvidas, por favor abra os últimos links, eu prometo que vão te fazer bem). Uma crítica necessária é ter um ator cisgênero no papel principal. O cinema precisa quebrar o padrão e colocar mais atores e atrizes trans nas telas, ao invés de ficar dando prêmio pra gente cis que faz esse tipo de papel (sim, eu estou falando de Clube de Compras Dallas e A Garota Dinamarquesa).

Dito isso, Seung-won Cha está absolutamente incrível. Não nego que eu me apaixonei. Enquanto policial, Seung-won é implacável e tem toda aquela atmosfera austera, quase cruel. As cenas de luta são o máximo (eu fiquei babando na primeira sequência inteira). E aí de repente a personagem mostra tanta vulnerabilidade, tanto sentimento – como quando Ji-wook vai à clínica receber as injeções. Seung-won interpreta a detetive com muita sensibilidade e respeito, e o resultado é uma performance maravilhosa.

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Seung-won Cha no papel de Ji-wook (Fonte)

Preciso dizer também que não é um filme leve e nem com um final feliz, mas cabem algumas considerações. Em primeiro lugar, a história não transforma a transexualidade de Ji-wook em um espetáculo de tragédia  ao contrário de tantos dramas LGBT, como Brokeback Mountain e o próprio A garota dinamarquesa. Isso é importante. A questão não é que filmes queer não podem ser tristes, mas como o cinema constantemente explora a dor de pessoas gays e transsexuais, usando a violência contra essas pessoas como artifício pra chocar, pra impressionar o público e a crítica. Temas como suicídio e assassinato motivado por homofobia ou transfobia são recorrentes. Isso não é – ou não devia ser – representatividade. Olha que um dos meus filmes favortios é Felizes juntos (Wong Kar Wai). Apesar de tristíssimo, o drama em Felizes Juntos não é a sexualidade dos personagens, mas o fato deles se gostarem e mesmo assim não serem capazes de manter um relacionamento saudável. Viu a diferença?

Já Entre a lei e o salto tem toda uma trama policial e não economiza na ação. O gênero da detetive, embora seja um ponto significativo no enredo, não é o único aspecto da sua personalidade. A policial é uma personagem complexa e multifacetada, escrita de maneira sensível pelo diretor Jin Jang. O final partiu meu coração em mil pedaços, mas é apropriado pro filme noir (surpreendente, ambíguo, pessimista). O mesmo pode ser dito sobre a tristeza que Ji-wook carrega, uma tristeza que vocês podem ver nas fotos que eu escolhi pra ilustrar o texto hoje. Até a violência de algumas cenas, que às vezes fica bem gráfica, é característica comum do estilo noir. Igual quando a gente assiste um terror trash e queer: aí eu sim entendo que os personagens morrem, porque nesse tipo de filme, todo mundo morre! Além do mais, o enredo de Entre a lei e o salto levanta questionamentos pertinentes à transsexualidade: a duvida torturante entre fazer ou não a transição, a transfobia internalizada, a forma como algumas pessoas – mesmo sendo absolutamente infelizes – decidem nunca se assumir.  

De fato, não é uma história leve. Se você não gosta de violência, pode ser difícil assistir. Apesar disso, é um filme interessante, com uma perspectiva que foge à ideia do “amor que vira tragédia” tão batida nos dramas LGBT. Eu gostei muito, e se você quer ver um suspense policial com uma boa dose de pancada, recomendo!


Vocês devem ter notado que eu usei pronomes femininos ou neutros ao longo do texto. Independente de já ter feito (ou não) a cirurgia, Ji-wook se identifica como mulher e é assim que eu sempre vou me referir a ela. Pessoas trans devem ser tratadas pelo gênero com que se identificam, não importa em qual estágio da transição estejam.