A Bela e a Fera: Assim que se faz uma nova versão!

Quando descobri que A Bela e a Fera seria lançado em live action, decidi não criar expectativas. Deu muito certo até o dia que vi o elenco cheio de atores que eu adoro. Parecia essas postagens com um “elenco dos sonhos” que nunca vai parar na tela do cinema de verdade. A cada notícia, cada trailer, minha vontade de assistir ao filme só crescia, e com ela a torcida para que fosse tão bom quando eu esperava.

Agora eu posso dizer: É ASSIM QUE A GENTE FAZ UMA VERSÃO NOVA!

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Emma Watson como Bela, A Bela e a Fera (Fonte)

O que me impressionou foi o cuidado com o enredo, os detalhes tão minuciosos que a gente talvez não repare logo de cara, mas fazem toda diferença. A Disney se preocupou em corrigir os furos do original e entregar uma narrativa mais elaborada, e o resultado foi maravilhoso. Desde à menção à Peste Negra até a relação da Bela e do Príncipe com seus respectivos pais, tudo isso deu mais profundidade aos personagens e ao próprio filme. É incrível ver como essas pequenas coisas vão se encaixando na história. Bela pega os livros que ela tanto gosta emprestados com o padre local e não com o dono da livraria, como na versão animada. O que não fazia sentido, se a maior parte dos moradores da vila torce o nariz para o hábito de leitura e alguns são, inclusive, analfabetos. O dono da livraria morreria de fome!

Ainda na animação, é curioso que os aldeões não se lembrem do rei e sua família, sendo que vivem nas terras do entorno. Nessa versão, descobrimos que a Feiticeira fez com que eles esquecessem a existência do castelo. Lembra quando a Bela canta sua primeira música e apresenta a cidade? Ela pergunta ao Sr. Jean se ele perdeu alguma coisa de novo essa manhã, e ele diz que sim, mas não sabe o quê. Quando Bela conta que está lendo uma história de amor, ele diz que “parece chato”.

Depois que o feitiço é quebrado a gente percebe que ele é marido da Madame Samovar (a chaleira) e que a “coisa” que ele tinha perdido era a esposa e o filho! O amor da vida dele! Como é que não chora com um filme desses, gente?

Outra coisa que eu gostei é que o filme estabelece um paralelo entre Gaston (Luke Evans) e o príncipe Adam (Dan Stevens). Na primeira cena – que por sinal é lindíssima, maquiagem e figurinos impecáveis – vemos Adam organizando um baile. e dá pra perceber que ele é narcisista, egoísta e arrogante, os mesmos defeitos que tornam Gaston tão insuportável. A diferença entre os dois não é que um é bom e o outro mau. O mérito do príncipe é ter mudado, não só para conquistar Bela, mas pra se tornar uma pessoa melhor. Da mesma forma, Gaston é o vilão que recusou qualquer oportunidade de melhorar (e olha que ele teve muitas, hein).

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Audra McDonald

E não dá para falar sobre A Bela e a Fera sem citar a diversidade do elenco. Em geral, quando a gente vê um filme de época internacional, bancado por um grande estúdio, todos personagens são brancos (a não ser que seja um filme sobre a escravidão, né). Como se isso fosse “historicamente correto” – não é! – e não existissem pessoas negras na Europa da Idade Média. Isso me tira do sério (daí a empolgação com Mistério na Torre Eiffel) e ver a Disney incluir atores negros no elenco – entre pessoas comuns na vila e o próprio Padre Robert, que empresta os livros à Belle – foi legal. Sem falar nas maravilhosas Gugu Mbatha-Raw como Plumette, e Audra McDonald como Garderobe (gente, o que é a voz dessa mulher). Algo que eu não esperava, e nas primeiras cenas do filme estava cutucando a amiga que foi ao cinema comigo para ela prestar atenção nisso.

Viu, é assim que se faz a adaptação de um clássico! Reconhecendo que o público amadureceu após todos esses anos e trazendo questões atuais pra cena. É bom ver que mesmo A Bela e a Fera sendo um filme “de criança”, a Disney não deixou de lado aspectos tão importante quanto a diversidade. Nesse ponto alguns filmes novos me decepcionaram demais (é, Rocky Horror) e outros têm me encantado – Mad Max e Animais Fantásticos, para citar alguns exemplos.

Já a Bela continua sendo a heroína forte, inteligente, decidida e apaixonada por aventuras que me conquistou na infância. Sempre à frente do seu tempo, nessa versão ela é ainda mais determinada que na animação original. Não sei vocês, mas eu adorei isso. A cena que a Bela ensina uma garotinha a ler mesmo contra a vontade dos aldeãos, depois da gente ver que só os meninos frequentam a escola da vila, é tão importante, tão emblemática, e caracteriza tão bem a personagem dela! Parece ter ficado no lugar daquela cena em que ela mostra o livro para as ovelhas na fonte e, na minha opinião, foi uma excelente escolha.

Agora, aposto que vocês estão imaginando por que eu não falei do LeFou, o oh-tão-polêmico personagem gay do filme. Eu tenho tanto pra falar sobre ele, e esse texto já está tão grande, que eu acabei dividindo em duas partes.

Então não percam o próximo post – LeFou, vestidos, e o lado cômico do filme!

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Mistério na Torre Eiffel (Mystère à la Tour Eiffel)

Eu tinha planejado estrear falando sobre Rocky Horror, mas surgiu a oportunidade de fazer a legenda para esse filme e não quis deixar passar!

Mystère à la Tour Eiffel é um filme francês, produzido para TV e distribuído no comecinho desse ano. Fiquei sabendo dele semana passada e estava só esperando uma boa alma disponibilizar a legenda em inglês pra assistir. Apesar do clima legal de suspense, admito que o que me chamou atenção foi ver a mocinha Louise (Marie Denarnaud) se apaixonar por Henriette, interpretada pela atriz Aïssa Maïga.

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Louise e Henriette, Mistério na Torre Eiffel (Fonte)

A história começa na inauguração da Torre Eiffel em 1889. Louise é uma moça divorciada que mora com o pai, um dos engenheiros que trabalharam no projeto ao lado do arquiteto que dá nome à torre. Quando um colega deles é assassinado e toda a equipe recebe ameaças, Louise acaba envolvida em mortes que parecem inexplicáveis. É aí que ela conhece Henriette, assistente de palco de um mágico famoso. A polícia questiona a participação de Louise nos crimes e, junto com Henriette, ela banca a detetive para provar sua inocência.

Não vou falar mais do enredo porque quero que vocês assistam e se surpreendam como eu, mas alguns comentários sobre o próprio filme são inevitáveis.

Quando é que a gente vê uma história assim no cinema, cara? Onde duas mulheres se apaixonam e a trama não se limita à sexualidade delas? Uma história que não é uma tragédia, e – clichê dos clichês em filmes LGBT – alguém morre no final? E mais, quantos filmes de época a gente encontra com uma personagem como a Henriette? O cinema mainstream dá pouquíssimo espaço para atores negros em filmes históricos. A não ser, claro, que se trate de um filme sobre a escravidão. Mas uma mulher negra, lésbica, que não precisa ser libertada pelo protagonista branco? Ahh, isso deve ser pedir demais. Alerta de ironia: NÃO, NÃO É PEDIR DEMAIS

Não que o filme seja perfeito. A gente pode (e deve) questionar o fato da heroína ser a moça branca, enquanto Henriette ainda fica em segundo plano, como o interesse amoroso. Mesmo assim Mystère à la Tour Eiffel tem sacadas muito boas – quando Louise vê um objeto que supõe africano e pergunta a Henriette se é da sua terra, ela responde graciosamente, “De Bordeaux?” – e uma história leve, doce, gostosa demais. Recomendo MUITO!

Baixe o filme por download direto ou torrent, e a legenda em português:

Download | Torrent | Legenda

Em tempo: fiz a legenda em português a partir de uma tradução em inglês.
Crédito pela tradução inicial.