A Bela e a Fera: LeFou, vestidos e tudo que há de bom

Minha amiga, na maior altura: NOSSA, EU ACHEI QUE VOCÊ ESTAVA CHORANDO!
Eu, sem um pingo de dignidade: EU ESTOU CHORANDO, CALA A BOCA!
Metade do cinema caiu na gargalhada.

Não me julguem, eu comecei a chorar em Something There. Sou desses que saem de um musical cantando todas as músicas, chega em casa e ainda baixa a trilha sonora. No caso d’A Bela e a Fera, não ouvi outra coisa por duas semanas. Confesso que gostei mais das clássicas que das canções novas, mas a trilha inteira é encantadora.

Como eu disse no post anterior, o que me ganhou foram os detalhes. Como quando o candelabro Lumière (Ewan McGregor, que está adorável no papel) canta Be Our Guest. Ele diz “afinal, aqui é a França” e se apoia em uma faca sobre a mesa, daí a faca corta um pão baguete com um movimento certeiro, numa referência à guilhotina. Isso me fez rir alto no cinema! Adoro esse humor sutil e inteligente.

É algo que a Disney sempre fez, e sempre fez bem. A gente pode ver a mesma sutileza na concepção dos personagens, em especial o LeFou (Josh Gad) – eu disse que ia falar dele, não disse? Antes da estreia saiu a notícia de que ele seria gay, o que gerou protestos, talvez por uma história com tanto apelo entre o público infantil. Meu único receio era que LeFou fosse usado como um estereótipo grosseiro e alvo de chacota.

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LeFou confrontando Gaston antes de invadir o castelo (Disney)

Só que a Disney nos deu um personagem maravilhoso, interessante e bem construído, com uma narrativa própria. Ele é, sem dúvida, apaixonado por Gaston. E sabe que o sentimento não é correspondido da forma que gostaria, já que – para ele – Gaston o vê como um amigo, sem qualquer interesse romântico. Um ponto importantíssimo é que LeFou não se volta contra Gaston porque o amigo está interessado na Bela (caras que reclamam de “friendzone” podiam aprender algo com isso). Sua lealdade só começa a vacilar quando ele percebe que o outro não é exatamente uma boa pessoa, e teria coragem de matar o pai da Bela para obrigar a moça a aceitar o casamento.

Ao contrário da versão animada, no live action fica claro que admiração inspirada pelo vilão não é ingênua nem ilimitada. Na cena da taverna, descobrimos que LeFou tem que pagar os moradores da vila para animar Gaston com um número musical celebrando os “talentos” dele. E nessa mesma cena aparece outro personagem que eu adorei: Stanley (Alexis Loizon), o rapaz que termina o filme dançando com LeFou.

Na boa, Stanley já estava de olho nele desde… sempre! Olha a carinha indignada do moço quando LeFou pergunta quem é o favorito da cidade. Ele fica pessoalmente ofentumblr_inline_onfevoNTFS1tsl3oa_500dido com tanta adulação (sim, eu peguei o gif no Tumblr). Isso é ciúmes, gente. Ciúmes! Pode até ser um detalhe que se você não prestar atenção vai passar batido, mas faz parte da construção de uma narrativa bem elaborada. Por isso eu gostei tanto da forma como o LeFou foi retratado no filme. Gostei do momento em que ele percebe que é bom demais pro Gaston, de como ele não esconde seus sentimentos e da Madame Samovar dando conselhos amorosos no meio da batalha com a maior naturalidade.

LeFou é um personagem cativante, indiscutivelmente gay, e ganhou algo que Gaston jamais terá: um arco de redenção, com direito a final feliz e tudo. Junto com Stanley, que para completar aparece na cena da batalha muito confortável e satisfeito usando vestido e maquiagem. Algo que foge daquele ideia tão batida (e preconceituosa) em humorísticos, onde um cara entra em pânico ao se ver trajando roupas femininas. Foi mais uma agradável surpresa que eu tive com A Bela e a Fera.

5d7f5f9fb1d40f44f6dda8da2feea0f3Já que eu falei de vestidos, preciso dizer que eu adorei todo o figurino do filme (e tem algo que eu não curti?). A caracterização inteira do príncipe, ainda na primeira cena, é maravilhosa. Sobre as roupas da Bela (Emma Watson), com exceção do clássico vestido azul com a blusa branca e o avental que ela usa lá no comecinho – e que parece ter saído direto da animação – foram releituras bem executadas dos modelos originais. O meu preferido é sem dúvida o figurino de inverno que ela veste em Something There, quando brinca na neve com a Fera. E embora o vestido amarelo de baile seja muito diferente do que Bela usa no desenho, eu adorei  cena da sua “confecção” pela Madame Garderobe. Principalmente quando os arabescos dourados descem pelo ar até a barra do vestido, tão delicado!

Admito que entre tantos personagens encantadores, eu não pensei que fosse gostar do Príncipe Adam. Qual é, um bicho de três metros de pura animação computadorizada? Juro, entrei no cinema torcendo pelo Gaston (não julguem). Acabei me surpreendendo com a quantidade de sentimento que a gente consegue ver no rosto da Fera. Inclusive, eu achei que as emoções ficaram mais naturais que a movimentação do personagem, nas cenas de corpo inteiro e durante a luta no telhado. Dan Stevens roubou meu coração. RAWR!

Gostei tanto do filme que dividi a análise em dois posts. Não viu o primeiro? Confere lá!

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