Legion, um thriller psicológico da melhor qualidade

Legion é baseado em um personagem da Marvel, mas traz uma proposta original

Eu adoro os X-Men desde a primeira vez que vi aquele desenho na década de 90, mas já faz algum tempo que eu não acompanho os filmes com a mesma empolgação (uhum, desde que eles costuraram a boca do Deadpool em 2009). Nem assisti Logan ainda. Aí veio Legion e pronto: me ganhou de novo.

A série nos apresenta David Haller, que nas HQs adota o codinome Legião. David é considerado um dos mutantes mais poderosos do planeta e suas habilidades incluem telepatia e telecinese. No jargão Marvel, ele é um mutante nível ômega. Embora a essência tenha sido preservada, a série optou por não seguir completamente a história dos quadrinhos e tirando David (Dan Stevens), a maior parte dos personagens foi criada pra TV. O que funciona muito bem nessa produção da Fox.

Dan Stevens como David Haller em Legion

Dan Stevens, de A Bela e a Fera, interpreta Legião (Fonte)

Legion vem com a proposta de ser um thriller psicológico, ao contrário dos filmes de ação onde estamos acostumados a ver os X-Men. O interessante é que os poderes dos mutantes que a gente conhece na série são menos “eu posso atirar bolas de fogo dos meus olhos” e mais “eu consigo navegar pelas memórias das outras pessoas”. Não se preocupe: ainda tem cenas de luta, tem gente explodindo, só não é esse o foco da história. Não sei vocês, mas eu adoro um bom suspense psicológico. E estou curtindo demais o que Legion têm acrescentado ao gênero.

A narrativa segue o ponto de vista de David e por isso mesmo é fragmentada, confusa. Cada episódio deixa mais perguntas que respostas e embora a gente vá entendendo aos poucos, algumas dúvidas permanecem. A maioria das produções que adotam a mesma linha tem uma estética sombria, cenas com pouca iluminação (amo Hannibal da NBC, mas chega na última temporada você precisa de uma lanterna) enquanto Legion é… Colorido. Vibrante. Às vezes, os personagens dançam. E tudo isso só acrescenta ao clima intrigante da história.

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Katie Aselton e Dan Stevens (Fox)

Tem ainda os anacronismos propositais. A ambientação da série, assim como algumas escolhas de cabelo e vestuário, apontam para um período durante as décadas de 60 e 70. Os monitores de TV definitivamente são ultrapassados. Por outro lado, as armas e os veículos parecem contemporâneos! E aí? Será que isso acontece porque nós vemos as cenas da forma como David as vê, ou Legion se passa em um universo paralelo, similar ao nosso, onde a tecnologia evoluiu de maneira diferente? Ah, eu tenho tantas perguntas. Queria que a segunda temporada começasse hoje. Sério.

aubrey_legion

Aubrey Plazza

Outro ponto forte é a atuação de Aubrey Plaza, que interpreta Lenny Busker, mais uma das pacientes no hospital psiquiátrico onde David foi internado. Sem spoilers, vou dizer apenas que eu acho maravilhoso a série permitir que uma atriz faça esse tipo de trabalho – o tipo de papel que em geral é reservado a atores, homens. Não vou entrar em detalhes aqui, mas juro que vocês vão entender quando assistirem. Aubrey surpreende o público com uma performance intensa, por vezes perturbadora. Ela está incrível no papel e eu sinceramente não consigo imaginar alguém melhor para dar vida à personagem!

Por último, um detalhe importante: a série tem um vilão que é gay e, aleluia!, não cai naquele veeeelho estereótipo. Se você não sabe por que isso seria um problema, que tal começar por esse artigo legal do Lado Bi? O fato é que a homossexualidade (ou bissexualidade) é usada com frequência em filmes, séries e desenhos animados para identificar um personagem como ameaçador, perverso ou anormal – ou seja, é mais uma das características que fazem dele o vilão. Já em Legion acontece justamente o contrário. A gente fica sabendo que o personagem é gay no primeiro episódio em que ele demonstra traços de humanidade (empatia, bondade, carinho, até medo). É bem interessante a forma como a série constrói isso e estabelece uma relação oposta entre as atitudes controversas do personagem e a sua forma de amar, sua sexualidade.

Ainda nessa linha, vale lembrar que boa parte da história – ao menos durante essa primeira temporada – se passa em uma instituição psiquiátrica, onde David já está internado há alguns anos. A série consegue abordar o tema com sutileza, sem recorrer ao clichê (tão comum no suspense e no terror) de demonizar a doença mental ou mesmo os pacientes psiquiátricos. É mais um entre os “detalhes” que não apenas tornam o enredo mais inteligente, como conferem originalidade à produção.

Legion tem uma proposta original e realmente traz algo novo pros shows de super-heróis. E para quem ficou curioso sobre a relação de David Haller com os X-Men, tudo indica que eles vão explorar isso na segunda temporada. Vale a pena acompanhar!

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2 comentários sobre “Legion, um thriller psicológico da melhor qualidade

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