SORTEIO: Star Wars no Estanteante!

Um dos filmes mais esperados do ano é o episódio VIII de Star Wars, Os Últimos Jedi, que estreia 14 de dezembro. Isso mesmo, falta só um mês! E para comemorar, o blog está realizando um sorteio no Facebook. Pra participar, basta curtir a nossa página e se inscrever na aba Promoções. Dá só uma olhada nos prêmios:

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  • Almofada Star Wars BB-8
  • Quadro Darth Vader
  • Porta-lápis Darth Vader
  • Miniatura Darth Vader
  • Miniatura Stormtrooper

Quer conferir os prêmios mais de perto?

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Um quadro do Darth Vader, em tamanho A4, para você pendurar na parede do quarto e provar sua lealdade ao Império! Para completar, esse porta-lápis do Vader. Os dois são uma impressão aplicada em MDF.

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Miniaturas Darth Vader e Stormtrooper

 

sorteio_estanteante_3Mais duas miniaturas do modelo Lego, um Darth Vader e um Stormtrooper. Acompanham os acessórios: plaquinha para suporte e capacete, a arma do ‘trooper e o sabre de luz para o Darth Vader, na cor vermelha. Todas as peças são removíveis. Os dois capacetes saem, e ambos os bonecos tem o rostinho pintado de acordo com seus personagens. Na foto logo abaixo vocês podem ver o Darth Vader sem o seu famoso elmo.  E como nós estamos todos ansiosos pelo novo filme, tem ainda a almofada do BB-8! Não dá para ver na imagem, mas na parte de trás a almofada tem o símbolo da Aliança Rebelde em vermelho.

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Além disso, vamos incluir um brinde surpresa junto com os prêmios já mostrados aqui. Não fique de fora, corre lá no Facebook e entra pro sorteio! Não se esqueça de curtir a nossa página também. Boa sorte, e que a força esteja com você.

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Brooklyn 99 prova que a diversidade pode ser hilária

Olha que eu nem sou fã de comédia, mas se tem uma série que eu recomendo para todo mundo é Brooklyn 99. Com episódios curtos, B99 é leve e super divertida, sem precisar usar um humor babaca pra fazer graça. As primeiras temporadas estão disponíveis na Netflix e aqui você pode assistir todos os episódios, dublados ou legendados.

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Andy Samberg como Jake Peralta (Fonte)

Quando a diversidade é apenas um mito

O legal é que Brooklyn 99 tem um elenco diverso pra valer, enquanto boa parte dos produtos de entretenimento usa diversidade como um acessório. Por exemplo, filmes de super-heróis que incluem uma mulher no time (Liga da JustiçaGuardiões da GaláxiaVingadores, Watchmen) e séries que fazem questão de por um (mas só um!) personagem não-branco, como se assim pudessem provar que não são racistas. E, em geral, ele é reduzido aos estereótipos grosseiros de sempre (Raj em The big bang theory, Zahid em Atypical). Um problema parecido acontece quando programas tentam parecer diversos ao colocar minorias em papéis secundários, mas nunca em lugar de destaque. Assim, o lugar do protagonista continua pertencendo a pessoas brancas e quase sempre dentro-do-padrão. Atores e atrizes que não se encaixam nesse padrão às vezes não são nem cogitados para o papel do herói ou da heroína, ou como interesse romântico.

Essa tendência começou na década de 90. Friends, que era tão moderna, hoje parece ultrapassada. Se você olhar direitinho, vai perceber que tem atores negros na série: a garçonete, os clientes no café, talvez até uma pessoa negra na festa! Isso cria a ilusão de um ambiente diversificado – afinal, Friends acontece em Nova York. Porém, em dez temporadas a série nunca abordou questões raciais e teve só uma personagem negra relevante (Charlie, professora e paleontóloga que namora Joey e Ross). Isso fica mais óbvio quando a gente olha os relacionamentos amorosos da turma. Além de Charlie, mais uma garota negra aparece como interesse romântico; Julie, que também namorou Ross, é chinesa; e Julio, latino, saiu com Monica. Todos os outros pretendentes do grupo são brancos. Interessante, não?

Ainda sobre Friends, a série recebeu um prêmio GLAAD por fazer de Carol e Susan um casal comum e, depois, uma família feliz. Na época, o episódio com o casamento delas foi considerado corajoso e proibido em alguns países. Hoje a gente vê que o papel das duas é ínfimo, além de usado como pretexto pro desenvolvimento de Ross e fonte de piadas desagradáveis. O mesmo pode ser dito sobre o “pai” de Chandler (na verdade, uma mulher trans), cuja presença foi tratada com deboche e pouquíssimo respeito. Há uma fachada de diversidade, mas, por trás dela, muito preconceito. Claro, não dá pra esquecer que Friends começou a ser exibida em 1994. Se fosse agora, a recepção do  público com certeza seria diferente.

Que bom que o cenário está mudando! Séries mais antigas que ainda passam na TV já exibem elencos mais diversos, como Law & Order: SVU (Lei & Ordem: Unidade especial). No início, o drama policial tinha sempre um detetive negro (Michelle Hurd, em seguida Ice-T). Já na 18º temporada, entre os cinco personagens centrais dois são latinos e um negro (Ice-T, Danny Pino e Raúl Esparza). Isso é reflexo do quanto a sociedade mudou nessas duas últimas décadas, mas não significa que seja o bastante. A ausência de representatividade nas telas não deixou de ser problema. Vários filmes e séries têm uma diversidade legal em certos aspectos e pecam em outros. A popular Orange is the new black conta com um elenco majoritariamente feminino, atrizes de diferentes etnias e romance entre mulheres, mas ninguém se atreve a usar a palavra bissexual (nem Lorna ou Piper, que sentem atração tanto por homens quanto mulheres). Drop dead diva traz uma protagonista gorda e uma mensagem legal de aceitação do próprio corpo, só que o elenco inteiro é – pra variar – branco demais, hétero demais. Não vou citar nomes, mas existe uma legião de fantasias medievais com espaço pra dragões e não para pessoas negras (mentira, vou citar nomes sim: O Senhor dos Anéis e Game of Thrones).

Brooklyn 99 não transforma minoria em piada

Brooklyn 99 faz o oposto, por isso eu gosto tanto da série. A equipe do Capitão Holt tem dois policiais negros, duas detetives latinas e Jake, embora branco, é judeu. Cada um tem o seu próprio enredo e relevância na história, fica claro que ninguém está ali apenas para “preencher uma cota” de diversidade. Um deles, inclusive, é abertamente gay e a narrativa em nenhum momento o diminui por isso. O que não significa que B99 não faz graça com o assunto: esse é um dos grandes trunfos da série.

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Andre Braugher como Capitão Holt (Fox)

Existe uma grande diferença entre rir de alguém, e rir com alguém. Brooklyn 99 aborda temas como racismo e homofobia de forma cômica, sem transformar ninguém em alvo de deboche por sua sexualidade ou etnia. Longe de mim querer restringir a liberdade de expressão, mas quando o alvo das “brincadeiras” são sempre grupos já marginalizados pela sociedade a gente precisa repensar o conceito de humor, né? Não sei vocês, mas eu não acho a menor graça em piadas enraizadas no preconceito. Já em B99, diversas cenas usam pessoas homofóbicas, racistas e machistas como alívio cômico, ou fazem comentários sérios sobre o “mundo real” de forma bem humorada. Como quando o capitão Holt precisa tirar a equipe de uma situação constrangedora e diz ter recebido a notícia de uma bomba. Depois ele esclarece que tudo não passou de alarme falso: era só um aluno não-branco construindo um relógio. E a série é hilária! Sempre que eu ouço “o pessoal do direitos humanos não tem senso de humor” ou “feminista não sabe rir”, eu lembro de Brooklyn 99. Ninguém precisa ser escroto para fazer a gente rir.

Ah, eu queria enumerar tudo que eu amo sobre B99! Só que vou evitar spoilers porque eu quero que vocês assistam (eu juro que todas as pessoas que eu “obriguei” a assistir adoram, sério). Então, mais alguns detalhes: apesar de se passar em uma delegacia, não é uma série policial. É sobre um grupo de pessoas que trabalham juntas e se tornam uma família (e, entre uma confusão e outra, resolvem crimes). A série é leve e divertida, mas nem por isso deixa de tocar em assuntos difíceis, como a homofobia na polícia ou o racismo, no episódio que Terry (Terry Crews) é preso apenas por ser negro. Além de mostrar relacionamentos saudáveis entre casais gays e hétero, personagens incríveis e um cachorro super fofo (Cheddar!) – o que mais você quer em numa série de comédia?

Vale muito a pena assistir Brooklyn 99, especialmente pra quem não mais tem saco pro humor babaca e cheio de preconceitos que a gente tanto vê por aí. Fica a dica!

Kingsman: por que vilões sempre usam prótese?

Baseado em HQs de Mark Millar e Dave Gibbons, Kingsman é uma reinterpretação mais divertida dos clássicos filmes de agente secreto. Quem é 007 perto de Harry Hart! Apesar do primeiro ser fantástico (na minha humilde opinião) o segundo, Kingsman: O Círculo Dourado, não superou as expectativas. Eu me diverti porque adoro a franquia toda, mas acho que o enredo poderia ter sido melhor.

Mesmo assim, o post de hoje não é exatamente uma crítica. É uma reflexão sobre algo que acontece tanto em Kingsman quanto na sua sequência: os vilões – ou ainda, os capangas – são sempre personagens com uma deficiência física. Mulher Maravilha faz a mesma coisa. Talvez você esteja se perguntando porque isso é um problema. A questão é a seguinte: “vilão deficiente” é um clichê recorrente em histórias de ação e aventura. De Capitão Gancho a Darth Vader, é mais comum você ver o “cara mau” com um braço faltando do que o mocinho. O que contribui para criar uma visão estigmatizada dessas pessoas na vida real, além de estabelecer a deficiência (no caso, a falta de um membro, que pode ser congênita ou por amputação) como característica negativa, ao associá-la somente aos antagonistas.

Gazelle

Sofia Boutella como Gazelle em Kigsman: Serviço Secreto (Fox)

Não estou dizendo que Gazelle, por exemplo, não seja legal pra caramba. Ela é fodona, ela é implacável, e um dos destaques do primeiro filme. Só que ela continua sendo uma vilã. Ela morre como vilã – de forma gráfica, após perder a luta pro herói – e torcer por ela seria torcer pela dominação mundial. O mesmo acontece com Charlie em O Círculo Dourado. Vocês entenderam aonde eu quero chegar? Por mais que Gazelle seja uma personagem interessante, não muda o fato de que temos poucos personagens como ela entre os mocinhos, enquanto o “vilão deficiente” é um estereótipo extremamente comum. Para comparar, nesse post eu já falei um pouquinho sobre deficiências nos quadrinhos dos X-Men.

Alguns filmes subvertem o clichê. Em Mad Max nós temos vilões com e sem deficiência física, enquanto Furiosa, a grande heroína da história, não tem parte do braço e usa a prótese mecânica. Em Star Wars, Luke perdeu uma mão, assim como Darth Vader teve membros amputados. Essa inversão do estereótipo equilibra a representação entre os personagens, indo contra aquela ideia batida de que o cara com a mão de gancho ou com uma bengala é sempre o vilão. Por que não o herói? Por que não uma heroína que usa uma cadeira de rodas, ou próteses nos membros inferiores? É fácil não ligar para representatividade quando ela não diz respeito à gente, mas da mesma forma que eu cobro mais personagens LGBT na cultura pop, eu também quero ver mais diversidade de corpos: incluindo, claro, personagens com deficiências físicas.

charlie_kingsmanOutro ponto importante: filmes de ficção parecem adorar vilões que usam prótese só porque elas podem ser transformadas em armas mirabolantes –  como o braço de Charlie em Kingsman 2, que até se move sozinho. Ou Bucky Barnes da Marvel, cujo braço metálico confere superforça. Só que isso levanta uma questão diferente: seja vilão ou herói, às vezes é difícil considerar esse tipo de personagem como representatividade, porque parecem mais robôs que pessoas de verdade. Eu sei que é estranho falar em pessoas de verdade quando tem tanta coisa impossível acontecendo na tela (como os cachorros-robôs),  porém, eu me refiro a personagens em quem o público consegue se enxergar, com quem as pessoas são capazes de se identificar, e se emocionar, e torcer junto. Porque é isso que é representatividade.

Fica aqui essa reflexão – especialmente válida para quem cria conteúdo, os escritores e desenhistas. Por que será que é tão comum a gente ver vilões com deficiências físicas, ao invés de heróis? E por que não desafiar esse estereótipo na próxima vez, ao invés de continuar alimentando esse clichê tão preconceituoso?