Tanto legenda quanto dublagem é questão de acessibilidade!

Se tem um assunto que divide os fãs de séries e filmes é aquele eterno dilema, dublado ou legendado? Pois eu digo que ambos são igualmente importantes, e a gente deveria ter sempre as duas opções. Sempre. E já que o foco do Estanteante é a diversidade, ao invés de fazer uma recomendação ou crítica, o post de hoje vai explicar porque tanto a legenda quanto a dublagem são ferramentas de acessibilidade.

É claro que pode ser só questão de preferência, e não tem nada de errado com isso. Eu tenho amigos que assistem filmes dublados para não perder nenhum detalhe enquanto leem as legendas, outros curtem escutar o áudio original. Até aí, tudo certo. O erro é quando a pessoa insiste que um dos dois jeitos é superior ao outro. Aposto que vocês conhecem alguém que enche a boca para falar “só assisto filme legendado”, como se isso o fizesse melhor, mais inteligente, mais fã do que quem vê dublado. Se você faz isso, vou dizer logo: você é um babaca. Tudo bem preferir os filmes legendados, eu também prefiro. Mas quando você fala sem parar que dublagem estraga a produção, ou quando você dá a entender que pessoas que assistem dublado são menos inteligentes, você é um grande babaca. E um babaca desinformado, que não sabe que a dublagem brasileira é de alta qualidade, e o mercado de dubladores continua crescendo no país inteiro.

Não estou dizendo isso para ofender ninguém, mas para fazer a gente repensar essa postura, que é elitista e preconceituosa. Além de não levar em conta as necessidades particulares de cada espectador. Tanto as legendas quanto o áudio na nossa língua são fundamentais para garantir que o conteúdo seja acessível a todo mundo, não apenas parte do público.

Filmes, séries e até programas de TV dublados beneficiam quem não entende a legenda com tanta facilidade. Isso inclui vários casos diferentes, desde alguém que não sabe ler até pessoas que leem, mas tem dificuldade em compreender as frases por causa de alguma condição (como dislexia), ou mesmo porque as legendas passam rápido demais na tela. Espectadores cegos podem assistir com o áudio dublado, e outros ainda têm algum problema que não impede de ver as cenas, mas torna difícil enxergar a legenda (como quem tem perda parcial de visão ou campo visual reduzido). Por outro lado, uma produção legendada é acessível a pessoas surdas ou com perda de audição, ou que por algum motivo precisam manter o áudio mais baixo – seja alguém que quer assistir sem incomodar outras pessoas, ou alguém que tem hipersensibilidade auditiva. Até pessoas idosas que já não escutam como antes podem se beneficiar das legendas.

E embora a dublagem e a legendagem sejam os processos mais conhecidos, o ideal é que a gente tivesse mais opções de acessibilidade para todos os programas, como a tradução simultânea em Libras (imagem abaixo) e audiodescrição para cegos. A própria legenda feita para surdos é diferente da que a gente está acostumado a ver, porque além de transcrever as falas dos personagens, ela fornece descrição de sons ambiente (como  o barulho de uma porta batendo, assobios, explosões). Elas devem, inclusive, ser disponibilizadas para filmes e outros programas nacionais.

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TV Câmara Campinas, que já ampliou a programação com janela em Libras (Fonte)

Como sociedade, a gente precisa se esforçar para produzir os conteúdos cada vez mais acessíveis. Inclusive no cinema e na televisão, mas principalmente na internet, onde é mais fácil divulgar conteúdo em diferentes formatos. O Youtube, por exemplo, permite adicionar legenda a vídeos, e essas mesmas legendas podem ser ocultadas pelo próprio usuário que preferir assistir sem elas.

Da minha parte, eu tenho feito o possível para procurar versões legendadas e dubladas dos filmes e séries que eu recomendo. É uma pena que nem sempre encontro. Costuma ser mais fácil achar filmes estrangeiros legendados porque as legendas são feitas por fãs, enquanto a dublagem depende de um estúdio profissional. Mesmo assim, sempre que eu encontrar eu vou disponibilizar as duas opções. Assim como estou preparando recomendações de filmes nacionais, de preferência com a opção de legendas. Afinal, a o direito à acessibilidade também faz parte da diversidade. Não adianta nada eu trazer para vocês um montão de filmes incríveis se eu não prezar por fazer todo esse conteúdo o mais acessível possível, não é?

E aos leitores, fica o pedido: nunca tenha vergonha de solicitar o filme dublado, nem de me mandar a versão dublada se eu não tiver colocado aqui! O mesmo vale para versões legendadas. Às vezes eu coloco só uma ou outra porque não tem as duas mesmo, mas também pode ser apenas porque eu não encontrei.


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A Criada, romance lésbico cheio de reviravoltas

A criada é um filme sul-coreano repleto de mistério, além de um romance entre as duas protagonistas, Lady Hideko (Min-hee Kime a criada Sook-Hee (Tae-ri Kim). Com uma fotografia lindíssima e uma estética impecável, marca registrada do diretor Park Chan-wook, ele é – literalmente – uma obra de arte. O trailer está no Youtube e você pode baixar aqui (com legendas) ou assistir online, legendado ou dublado.

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Em A Criada, a fotografia primorosa chama atenção (Fonte)

Pensei em incluir na lista de filmes felizes sobre amor entre mulheres, mas decidi não fazer isso porque apesar de terminar bem, definitivamente não é uma história leve. O filme tem conteúdo adulto e aborda temas como abuso sexual, abuso infantil, suicídio e tortura. As cenas não são explícitas (nada que se compare, nem de longe, a Irreversível ou Um filme sérvio) e a produção é bem sensível, mas ainda pode ser difícil assistir. De qualquer forma eu acho válido avisar logo pra ninguém ser pego de surpresa por esses assuntos tão desagradáveis, certo?

Mesmo assim, A Criada merece uma recomendação. Considerado tanto um suspense psicológico quanto um suspense erótico, é um filme extremamente sensual e cheio de reviravoltas no enredo. As quase três horas de duração são justificadas: quando você pensa agora sim, eu entendi o que está acontecendo, a narrativa vai lá e te surpreende de novo. No fim das contas, a sensação é que a gente assistiu a mesma história contada de umas três formas diferentes!

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Sook-Hee, a criada (à esquerda) e Lady Hideko (Fonte)

O filme é baseado no romance da escritora britânica Sarah Waters, Na ponta dos dedos (em inglês Fingersmith), que em 2005 ganhou uma adaptação para a TV britânica em forma de minissérie. No Brasil a série ganhou o nome de Falsas aparências e, se você quiser assistir, os episódios foram compilados em um longa-metragem disponível no Youtube (dica do nossa leitora L, que mencionou a adaptação nos comentários)!

A história original se passa na Inglaterra, na Era Vitoriana. Já em A Criada, Park chan-wook adapta a ideia para Coreia do Sul dos anos 1930 – época em que o país esteve sob domínio do Japão. Lady Hideko é uma herdeira japonesa, mas sua fortuna e destino são controlados pelo despótico tio Kouzuki (Jin-woong Jo). Sook-Hee entra em cena quando o vigarista interpretado por Jung-woo Ha resolve se passar por nobre pra conquistar Hideko, e assim roubar a herança da japonesa. Em troca de um pagamento vantajoso, Sook-Hee aceita trabalhar como criada na mansão e fazer a sua senhora se apaixonar pelo falso conde. Ela só não esperava ficar tão encantada por Hideko, a bela e tímida herdeira.

Quando a trama se desenrola, o público descobre que nada é exatamente o que parece. A luxuosa casa esconde segredos sórdidos e Lady Hideko talvez não seja tão inocente quanto Sook-Hee pensava, mas será que ela pode corresponder os sentimentos da sua criada? Para descobrir, vocês terão que ver o filme!

…e viveram felizes para sempre

Uma das surpresas positivas de A Criada é o final feliz para as personagens. Nenhuma das duas morre, yay! E apesar de muitas vezes adquirir um tom sombrio, o desfecho da narrativa não poderia ser mais justo. Não vou dar spoilers pra não estragar o mistério, mas o que acontece é o contrário de dramas como Brokeback Mountain, onde o casal vive uma linda história de amor que termina de forma trágica. Aqui a tragédia existe, o próprio drama é um elemento fundamental no enredo, só que o final é feliz e deixa a gente com uma sensação de alívio. Ainda bem.

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Min-hee Kim como Lady Hideko (Fonte)

Minha única crítica – se é que posso chamar isso de crítica – é o filme ser bonito demais. Em certos momentos o diretor parece deixar o realismo de lado em nome da estética. O que não prejudica a qualidade narrativa e o resultado é uma obra de extrema beleza, é claro, mas cá entre nós as cenas íntimas entre as duas protagonistas podiam ter sido um pouquinho mais autênticas. Apesar de tudo isso é apenas um detalhe, e não impede que a gente curta a história e se emocione com o destino das heroínas.

Como Entre a lei e o salto, A Criada despertou meu interesse pelo teor de novidade, diferente dos enredos clichê que a gente costuma ver com protagonistas LGBT. E para quem ficou curioso, aqui ainda tem a sinopse do livro que o inspirou! Só que o link traz alguns detalhes sobre a trama que podem “estragar” as surpresas do filme, então eu recomendo assistam primeiro antes de procurar saber mais sobre o livro.

Sério, gente, assistam! Vale a pena.


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11 filmes FELIZES sobre amor entre homens

Em setembro eu fiz uma lista sobre filmes FELIZES (em negrito e caixa alta mesmo) com casais de mulheres e, como eu disse na época, um dos problemas com o cinema LGBT é a “mania” de apelar para a tragédia. Não vou negar que nós temos dramas incríveis na categoria, mas a gente também precisa de filmes mais leves, filmes com um final feliz, comédias românticas divertidas e amores clichê – por que não?

Vocês já sabem como funciona: muito amor envolvido, histórias levinhas, os caras ficam juntos no final e YAY, ninguém morre! Então, garotos, peguem uma vasilha de pipoca e outra de marshmallow e venham assistir comigo.

1) Sou só eu? (Is it just me?)

Blaine (Nicholas Downsé um jornalista desiludido com o amor, até conhecer Xander online (David Loren). Xander é tudo que ele procura num cara: sensível, romântico, pra casar. Logo rola o maior clima, e eles passam a se falar também por telefone. Só tem um problema: quando os dois se conheceram, Blaine usava o perfil do amigo Cameron, que trabalha como gogo boy. Quando Cameron afinal resolve entrar na disputa, resta saber qual deles Xander vai escolher. Filme leve, tipo “sessão da tarde gay”, disponível aqui.

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Cameron, Blaine e Xander

2) eCupid: Amor em download

Com seu aniversário 30 anos chegando, Marshall (Houston Rhines) passa a questionar seu namoro com Gabe (Noah Schuffman). Embora os dois morem juntos, ele não está satisfeito com a rotina e um trabalho entediante. Marshall baixa o eCupid, um app que promete encontrar seu amor verdadeiro. Ao invés disso o aplicativo faz uma confusão ao terminar automaticamente o namoro com Gabe e colocar vários rapazes solteiros na sua vida. E agora? Descubra assistindo online, ou faça o download.

3) O sexo não compra o amor (Boy culture)

X é um garoto de programa que não se envolve e não acredita em relacionamentos. Até que se apaixona por Andrew, o amigo com quem divide o apartamento. Enquanto isso, Joey (o outro amigo que mora com eles) se apaixona por X. Como se a situação não fosse confusa o bastante, X conhece Gregory, um cliente que prefere conversar a fazer uso dos seus serviços. Eu sei que é o tipo de filme que a gente começa e assistir e pensa “cara, isso vai acabar MAL”, mas vai por mim: Boy culture é incrível! Veja aqui.

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Derek Magyar como X e Darryl Stephens como Andrew

4) Role/Play

Graham Windsor (Steve Callahan) é um ator que se envolve num escândalo quando “cai na rede” um vídeo dele transando com outro homem. Para se afastar da mídia e tentar salvar sua carreira, Graham decide passar alguns dias recluso num hotel discreto, onde conhece o ativista Trey (Matthew Montgomery). A princípio os dois não se entendem de jeito nenhum, mas não dá para negar que rola uma atração forte. Um romance tão clichê quanto possível, mas gostoso de assistir! Veja aqui.

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Graham e Trey em Role/Play

5) Fórmula 17

Uma comédia romântica despretensiosa – de novo, bem no estilo “sessão da tarde” – com um final adorável. Fórmula 17 conta a história de Tien (Tony Yang), um rapaz do interior que se muda para Taipei, a capital de Taiwan. Ele ainda acredita no amor e quer perder a virgindade só quando encontrar o cara certo. As coisas ficam complicadas quando Tien conhece e se apaixona por Bai (Duncan Lai), um pegador incorrigível que não quer saber de compromisso. Assista online  legendado.

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Tony Yang e Duncan Lai em Fórumla 17

6) Havaí (Hawaii)

Um dos meus favoritos! Um filme argentino muito doce que fala sobre o reencontro de dois amigos de infância. Sem ter onde morar após a morte da sua avó, Martín (Mateo Chiarino) se vira com pequenos trabalhos. É assim que ele reencontra Eugenio (Manuel Vignau), que lhe oferece um lugar pra ficar durante o verão. Eugenio se sente atraído pelo amigo, mas teme que Martín corresponda seu interesse só por se sentir em dívida com ele. Apesar do ritmo lento Havaí é um filme encantador! Veja online aqui, ou baixe com legendas.

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Martín e Eugenio em cena de Havaí

7) De repente Califórnia (Shelter)

Zach (Trevor Wrightsempre quis estudar artes plásticas, mas acabou desistindo do seu para trabalhar e ajudar a irmã a cuidar do filho pequeno, Cody. No seu tempo livre ele surfa, anda de skate, sai com a namorada e brinca com o sobrinho. Quando o irmão do seu melhor amigo volta para a cidade, os dois acabam se aproximando e Zach logo começa a sentir mais que amizade por Shaun (Brad Rowe). Para quem ficou curioso, a imagem do post (lá em cima) é desse filme! Aqui tem pra ver online e aqui pra baixar.

8) Eu aceito (I do)

Jack (David W. Ross) é inglês, mas trabalha e vive nos Estados Unidos há anos. Depois que seu irmão morre num acidente, ele passa a ser uma figura paterna para a sobrinha Tara, e ajuda sua cunhada a criar a menina. Quando seu visto  é negado, Jack resolve se casar com a melhor amiga lésbica para conseguir a cidadania americana. Ele só não esperava se apaixonar pelo espanhol Mano (Maurice Compte). Eu aceito tem drama e romance, mas também tem um final feliz. Você pode assistir online no Youtube!

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David Ross e Maurice Compte em Eu aceito

9) Clube de geografia (Greography club)

Quando Min (Ally Maki) pega Russell (Cameron Stewartbeijando outro colega, ela o leva até o clube de geografia, um grupo secreto para alunos gays. A própria Min faz parte do grupo com sua namorada, mas Russell teme que o clube exponha sua relação com Kevin e estrague a reputação dos dois. Enquanto tenta conciliar a descoberta da sexualidade com as pressões típicas do ensino médio, Russell acaba descobrindo com quem pode contar de verdade. Embora o foco seja amizade e não romance, vale a pena assistir! Online aqui ou aqui.

GEOGRAPHY CLUB

Encontro do “clube de geografia” (Fonte)

Clube de geografia aborda temas difíceis como bullying e homofobia internalizada, mas faz isso sem transformar a história em tragédia. Pelo contrário, o clima ainda é leve e o final esperançoso. O legal é que ele aborda a construção da própria identidade, a auto-aceitação e, principalmente, a importância de ter o apoio de uma comunidade. É o tipo de filme que traz uma mensagem fundamental para quem está se descobrindo agora e, por isso, entra na lista.

10) Dois casamentos e um funeral

A ideia dessa lista é trazer filmes com final feliz e onde ninguém morre, o que não é bem o caso aqui, mas o funeral do título não diz respeito a nenhum dos quatro personagens principais. E, embora seja um momento triste na história, o desfecho é maravilhoso. O romance sul-coreano nos apresenta Min-soo (Kim Dong-Yoon), um médico gay que pra manter as aparências se casa com a amiga lésbica, também médica, Hyo-jin (Ryoo Hyoun-Kyoung). Hyo-jin tem uma namorada e  Min-soo se apaixona pelo garçom Suk (Song Yong-Jin), mas o médico não quer abrir mão do casamento de fachada. Uma bela história, e mais um exemplo de como é possível tratar temas difíceis sem transformar a sexualidade em uma tragédia. Download legendado ( link consertado).

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Min-soo e Suk em cena do filme

11) Make the yuletide gay

E como dezembro está chegando, você já sabe o que vai fazer no Natal? Não? Pois eu te conto: pipoca de chocolate pra comer assistindo um filme natalino gay com final feliz.

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 Os atores Keith JordanWyatt Fenner

Com um título que pode ser traduzido como “deixe o Natal gay”, Make the yuletide gay mostra o sufuco que Gunn passa para esconder a sua sexualidade dos pais – quando o namorado dele aparece de surpresa no fim do ano. É uma comédia bem divertida com um final lindo. Assista agora, ou faça o download e guarde para ver no dia 25.

 


Eu sempre tento fazer uma seleção diversa, mas dessa vez não consegui achar a versão dublada dos filmes. Provavelmente porque não foram feitas, mesmo. A boa notícia é que eu vou fazer uma lista com os melhores filmes LGBT da Netflix, e outra só com filmes gays brasileiros.


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